Paulo Folletto - Deputado Estadual

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Do interior para a
Assembleia Legislativa

Eleito deputado estadual, Paulo Folletto levou para a Assembleia Legislativa a experiência da medicina, da gestão e o olhar atento às necessidades do interior capixaba, fortalecendo o diálogo com produtores e comunidades.

Na Ales e, depois, na Secretaria de Ciência e Tecnologia, participou de mudanças institucionais e ajudou a ampliar oportunidades para milhares de jovens por meio do Nossa Bolsa.

10ª parte — Ales: 2003-2010

Chegada à Assembleia Legislativa

Estar à frente da direção da Unimed, implementando mudanças importantes, gerou notoriedade e chamou a atenção de filiados partidários para o lançamento do meu nome a deputado estadual. Fui desafiado e, até então, não imaginava dar esse salto.

Até ali era o cidadão do interior que vinha até mim em busca de consulta médica. Agora era a minha vez de fazer a incursão ao interior para conhecer e conversar com a população.

Vencemos pela primeira vez a eleição para deputado estadual com 14.493 votos, em 2002, sendo 82% dos votos vindos de Colatina. Chego à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) em 2003. Houve mudança majoritária dos legisladores, sendo que eu e mais 22 deputados estávamos renovando o quadro da Casa.

Isso refletiu diretamente na mudança de cenário. O nome dos líderes da Casa eram o deputado Cláudio Vereza e Anselmo Tozi. Me uni aos colegas para implementarmos uma mudança radical na Casa Legislativa.

"Foi a implosão da era Gratz, encerrando um período marcado por casos e denúncias de corrupção na cena política capixaba — mudamos processos e procedimentos administrativos que permanecem até hoje", disse Folletto.

Todas as mudanças projetadas por nós foram cruciais para dar mais transparência e controle financeiro nos custos da Casa e nas emendas parlamentares. Foi uma era importante para a história do Espírito Santo.

Fotos — mix de imagens identificadas como "Ales2003".

Trabalhava internamente na Assembleia e fora dela. Reativei a Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, a Cipe Rio Doce, sendo eleito o 1º presidente capixaba, em 2003.

Solenidade dos 25 anos da Unimed Noroeste Capixaba na Ales
Cipe Rio Doce 2003
Folletto entrega ao médico Euclides Almeida o título de cidadão espírito-santense
Folletto com a enfermeira Maristela, em homenagem ao Dia da Enfermagem

Tive papel ativo discutindo pautas como a despoluição da bacia do Rio Doce, em conjunto com deputados de Minas Gerais e Espírito Santo. Interferimos para assegurar melhores condições de negociação aos atingidos pela barragem da Usina Hidrelétrica de Aimorés, antes do início das operações. Em Brasília, houve pressão sobre os deputados federais da bancada do Rio Doce pela inclusão de verbas para o "Rio Doce Limpo" no Orçamento de 2006 — esforço somado ao das bancadas estaduais mineira e capixaba, também com mira nos orçamentos estaduais.

Executei um programa de expansão política, trabalhando no interior capixaba para conhecer a vida do homem do campo e ver de perto as dificuldades das pessoas e das famílias. Como era médico, tinha um olhar mais voltado para os serviços de saúde.

À medida que visitava as famílias no interior e conhecia cada vez mais a realidade da população, percebia que a mola propulsora da economia no interior capixaba era e é a agricultura. Municípios de colonização alemã foram homenageados por 180 anos de história.

Celebração dos 180 anos de colonização alemã no Brasil
Cinquentenário da fluoretação das águas no Brasil, tendo Baixo Guandu como município pioneiro.

A população reconhece o meu nome e, em 2006, tenho uma reeleição tranquila, com 33.064 votos — o 5º mais votado nas eleições de todo o estado. Fui reconduzido ao cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Espírito Santo e tive uma nova passagem na Mesa Diretora.

Inicio o 2º mandato na Ales e a ligação com o meio rural cresce ainda mais, especialmente com os pequenos e médios produtores de café. A cada incursão nas comunidades rurais, sentava para conversar com os produtores e ouvia os relatos das dificuldades em secar café.

Em 2007 e 2008, participo novamente da Mesa Diretora, com a finalidade de manter as conquistas da gestão passada e implementar novos processos administrativos, mantendo presença e diálogo com o produtor rural.

Em 2008, o partido lança meu nome para disputar a vaga de prefeito de Colatina. Com minha experiência consolidada como deputado estadual, me senti confiante para participar do pleito e mantive a liderança em boa parte das pesquisas. Mas, na reta final, o candidato apoiado pelo prefeito da época (Guerino Balestrassi), Leonardo Deptulski, venceu as eleições.

Recorte de jornal — manchete da Gazeta de 22 de junho de 2008.

De volta a Vitória, retorno ao mandato de deputado estadual e recebo o convite para ser Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia.


11ª parte — 2009

Nossa Bolsa

Assumi a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia em 2009. O programa de maior destaque da minha gestão foi o Nossa Bolsa, que já existia desde 2006.

Em 2010, ofertamos 1.500 bolsas para os jovens capixabas. Implementar o programa não foi tarefa fácil: tive que organizar minha agenda para bater de porta em porta dos diretores das faculdades capixabas.

A aula inaugural contou com parte dos 1.500 alunos selecionados para o exercício do projeto em 2010, através das notas conquistadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Na ocasião, o Governo do Estado prestou homenagem à estudante Roberta Roldi, pelo mérito de ter alcançado a maior nota no processo seletivo do Programa Nossa Bolsa. Roberta, de São Roque do Canaã, fez 766 pontos e passou para o curso de Medicina na Emescam.

O Nossa Bolsa foi muito marcante para a vida de milhares de estudantes capixabas e, em minhas agendas e viagens ao interior, acabei encontrando profissionais que se capacitaram e ingressaram no mercado de trabalho graças ao programa.

O caso da jornalista Monique Ferbek, de Anchieta, é um deles. Monique cursou Jornalismo na Faesa. Em Vitória, trabalhou na Tríade Comunicação, foi reconhecida e venceu na categoria "Inovação e Criatividade" no 1º Prêmio Natura de Relações com a Imprensa, em 2012. Hoje, está de volta à cidade natal, onde trabalha.

Fotos — mix identificado como "MoniqueNossaBolsa" (foto da aluna) e "NossaBolsa" (foto de Folletto).

O programa é 100% custeado pelo governo do estado do Espírito Santo e, depois de formado, o jovem não precisa pagar nenhuma mensalidade. Em 2026, são cerca de 1.000 vagas em 40 cursos. Até hoje já beneficiou mais de 30 mil estudantes no Espírito Santo.

E as coincidências da vida encontrando e reencontrando ex-alunos do programa não param. Descobri, nas conversas do atendimento domiciliar, que o fisioterapeuta André Canali, de Colatina, também foi um bolsista. André cursou fisioterapia no Unesc e hoje é especialista e professor universitário da Castelo Branco.

Vídeo — o fisioterapeuta André conta o que a Bolsa de Fisioterapia representou em sua vida.

Minha permanência na Secretaria de Ciência e Tecnologia foi rápida e muito marcante. Deixo a pasta em 2011.

A visibilidade do programa Nossa Bolsa abriu portas e novas possibilidades para um projeto ainda maior: concorrer, pela primeira vez, a uma vaga na Câmara Federal.